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04.05.2013 - Leave a Response

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A coxinha da saudade

18.02.2012 - 2 Respostas

A primeira vez que fui a Londres foi um pesadelo. Fiquei com medo de admitir na hora, mas depois um monte de gente me disse que a primeira vez em Londres é uma merda mesmo e então fiquei mais tranks (a segunda realmente compensou).

Achei a cidade horrorosa. O metrô sempre lotado, fedido e quente. As pessoas mal educadas. A comida péssima — e não é poque é barato que dá pra viver bem comendo salada do Sainsbury ou aqueles kebabs horrorosos.

 

O tempo todo lá, especialmente depois do pulinho em Paris (eike riqueza), não parava de pensar no Brasil, na minha cama, nos meus amigos, na minha mãe. Tudo bem, estou exagerando, mas minha comodidade era tamanha aqui que a razão e o coração ficaram divididos.

Um amiga australiana me levou para dar uns rolês no centro e prometeu me apresentar às lojas mais legais de Londres. Eu estava mais duro que pão de antesdeontem e não pude comprar nada, mas demos uma volta gostosa por Carnaby Street.

Ela me avisou que a poucas quadras tinha um microrestaurante brasileiro chamado Canela. Entramos lá e logo no balcão encontrei sentadas três coxinhas, assim ao ar livre, esperando um faminto ou curioso colar junto.

Pedimos duas. A outra ficou solitária. As coxinhas estavam murchas, secas e frias. Não tinha muito gosto também. Custavam 2,5 libras. O Guaraná Antárctica para acompanhar custava 3.

Roubei do foodspotting

Quando voltei ao Brasil, a primeira coisa que fiz no aeroporto de Guarulhos mesmo foi pedir um pão de queijo, uma coxinha e um Guaraná, ali no quiosque do desembarque internacional.

Eu fiz o pedido com um sorriso de orelha a orelha parecendo um babaca e a moça do caixa me olhou estranho, achando que eu era louco. Foi a melhor refeição que fiz na vida.

A Kátia vai embora daqui duas semanas. Eu estou meio bravo porque ela insiste em falar mal de São Paulo, enquanto eu amo (fora que ela furou a cerveja no Bahia comigo quarta feira). Entre outros, este é o motivo pelo qual ela vai embora — não aguenta mais esse lugar.

Mas queria que ela soubesse do Canela e toda vez que sentir nossa falta, dê um pulo lá pra comer a merda daquela coxinha cara e fria.

Umas três pessoas já me disseram também que em frente ao consulado brasileiro tem uma tia vendendo coxinha, mas não tive a oportunidade de experimentar.

1 Newburgh St, London W1F 7RB
Oxford Circus
Coxinhômetro:  ZERO

o primo caipira da coxinha

14.09.2011 - Leave a Response

ele mora em Itapetininga. é um “primo caipira gato da coxinha”. e aonde quer que você pergunte, vão te falar onde está o Bolinho de Frango. (apenas um adendo: não existe coxinha de atum, nem de feijoada, nem de nada. existe coxinha, apenas, que é massa recheada com frango. o resto chamem como quiser, “bolinho”, “salgadinho”, enroladinho, risole, eu seilá. coxinha é coxinha). o primo da coxinha é praticamente um patrimônio cultural da cidade (município de 150 mil habitantes, fofo, 3ª maior cidade do estado mas com cara de interior mesmo, onde dá pra comer amora ou romã nos pés que crescem na calçada e tomar sorvete na pracinha, agradável terra de Julio Prestes). qualquer itapetininguense que você conhecer com certeza vai te falar da iguaria que só se encontra a sudoeste do estado. reza a lenda, tem mais 100 anos a receita que leva farinha de milho em flocos na massa – o que dá ao salgado um ar de polenta recheada com frango.

quem leva os louros é a dona Cuta, dona de um bar próximo à rodovia em Gramadinho, que na década de 30 passou a receita para o filho e lá chamam o bolinho até de “encapotado”. a família dona da receita, os Freitas, defendem que tem de colocar até o osso na preparação do recheio e que vem dele o gostinho mais que especial. as barracas e bares que vendem o bolinho estão pela cidade inteira, mas o mais famoso com certeza é o da praça central (cidade do interior é isso, as referências contam com nomes simplórios). na massa, um pouco de polvilho azedo, ovos, o caldo do peito do frango cozido. na hora de enrolar, a regra é um bolinho disforme, meio ovalado. e frito. e a primeira mordida é um resgate imediato de memória, do almoço em família qdo vc era bem pequeno, no sítio da tia Clarice, e sua mãe amassava a polenta com o molho do frango caipira e desfiava a coxa pra vc – ah como eu daria um rim por mais uma garfada desse prato na minha vida.
pra falar bem a verdade, em Itapetininga não tem muito o que fazer. mas tem a Festa da Cerejeira – quermesse que comemora o início da florada das árvores de cereja (em junho) e suas lindas sakuras e uma maneira de preservar a cultura japonesa – a cidade tem uma colônia grande e ativa e que prepara iguarias como guiozas, tempurá, yakissoba etc. todos os anos.

vailá:
Itapetininga
170km de São Paulo – via Castelo Branco e/ou Raposo Tavares
Passagem de ônibus: R$ 35, em média (Viação Cometa, parte da Barra Funda)
coxinhômetro: ★★★★★
(ps. no caminho de Itapetininga fica Sorocoba. e em Sorocaba tem a Padaria Real, que, dizem, tem a melhor coxinha do Brasil. nunca comi, mas é um objetivo a ser cumprido)

das coxinhas que não valem a pena

20.04.2010 - 2 Respostas

uma coxinha pode ser a salvação de tudo. assim como eu posso terminar minha noite no Joakins tomando um milk-shake duplo de Nutella pra substituir uma boa trepada que não aconteceu, posso terminar minha noite com as bees no BH, comendo aquela coxinha que honra os preceitos de comfort food e dando risada, ou posso expandir meus horizontes experimentando uma nova coxinha. tem noites em que nada funciona: a pista não tá boa, ou ninguém quer dançar, ou você quer acuendar e ninguém cola (ou até cola, só que você não pega coxinha HA), então você tem de apelar pralgum outro tipo de prazer, por isso a coxinha pode ser a salvação de tudo.
uma vez eu falei sobre a alma que se estende à língua, sobre o orgasmo gustativo ser tão poderoso pra alguns e simplesmente não existir para outros. acontece, nem todo mundo nasce abençoado em todos as entranhas.
então eu saí daquela balada que foi um fracasso: nada de pista, ou drogas, ou pegaytion, e eu não me sentia feliz nem triste, eu achava que poderia comer uma boa coxinha e minha noite (minto, manhã) estaria salva, eu iria para casa gordurosa, feliz, com um marzinho de endorfina se despejando corpo adentro (com pimenta ardida, então, mais e mais endorfina se lança, ebaaa), mas não, não, coito interrompido.
colei naquela padaria escrota que tem embaixo do Copan. como tudo que tem embaixo do Copan (fora a Dona Onça, e em parte ainda), é um lugar escroto. muito escroto. preços altos, comida feita com o suvaco do cozinheiro, atendimento que só deve perder pro restaurante do seu joaquim da piraporinha, galera que acha que tá comendo no Fasano circulando, aff, como o Copan consegue agregar tantos lugares péssimos? deve ser o karma do prédio. enfim. fui lá, na padaria Sta. Efigênia (que tem esse nome porque é uma filial – e eu me prometo que um dia colo na matriz, na rua homônima, pra ver se é tão zoada quanto) e decidi – por livre e espontânea vontade e estupidez – comer a coxinha – que parece uma bolota com um rabinho puxado (AKA coxinha feia).
não tinha gosto de nada. foi uma das coisas mais insossas que eu enfiei na boca nos últimos…26 anos (note o ódio que eu estou dessa coxinha). a massa parecia um farinhão sem tempero, o recheio, branco feito um macarrão de hospital, era cremoso, correto, mas sem gosto também. imagine você um peitão de frango desfiado, cremoso, e sem sabor! um desperdício digno de morte.
como costumo fazer com as coxinhas que não descem, lotei de pimenta, maionese e catchup (quem me conhece sabe que eu não como catchup, veja bem) e fiquei usando a coxinha de base para sentir gosto de molho condimentado. e sentindo ódio, um tremendo de um ódio por meu sábado ter acabado exatamente como começou e correu a noite toda.

não vai lá:
Padaria Santa Efigênia
Av. Ipiranga, 200, lj. 3A7, República
11 3151-6319
Coxinhômetro: ★★

frangó: coxinha-poesia

05.04.2010 - 2 Respostas

minha vida é poesia. não todo dia, porque enjoa. como tudo. mas há cenas poéticas, há tardes poéticas, até algumas raivas são poéticas. pensando nisso dia desses, vi que uma travessa de coxinhas do Frangó é como uma poesia: elas vem em estrofes, ao fim do último verso a sensação (como toda poesia, vem uma sensação no final, como este Manuel Bandeira, ou esta Adélia Prado, ou mesmo este honestíssimo Leminski), um mundo de sentimentos que vai se concretizando dentro de você – a perfeição dessa coxinha é de poesia.
adolescente – está com 23 anos agora – flana com sua beleza saborosa pelos corredores do pequeno bar (que tem uma imensa carta de cervejas, de deixar as lombrigas todas enlouquecidas) e chega à mesa numa lindeza de garota de ipanema, num doce balanço à caminho do paladar. e quando chega…quando ela chega na sua língua o primeiro pensamento é “vou pedir esse salgadinho em casamento”. o recheio é muito, muito cremoso, é como um danete de frango e catupiry, um tempero vertiginosamente equilibrado, a massa que faz cama pra sentimentos genuínos – essa porra dessa coxinha me faz sentir amor!
tem na versão ‘unitária’ (tô pra conhecer quem consegue comer só uma mesmo) e tem na versão ‘porçãozinha’ (também tô pra conhecer quem pede uma travessinha só).
a coxinha do Frangó faz jus à sua fama de melhor da cidade. quer dizer, não é minha mais favorita de todas (a do Veloso, por exemplo, ganha fácil), mas eu como e sei, na hora, que é a melhor coxinha com trapaça do Brasil. (pastoso de queijo é trapaça haha). até o tamanho dela é perfeito: é média. não é pequetita, não é imensa, é média. dá pra duas mordidas, como uma poesia do Leminski. é sentimental, simples e certeira como uma Adélia Prado. e proporciona calafrios como um Bandeira.
vai dizer que não é uma coxinha poesia?

é longe, mas vale (muito) a pena:
Frangó
Largo da Matriz Nossa Senhora do Ó, 168, Freguesia do Ó
11 3932-4818
http://www.frangobar.com.br
Coxinhômetro: ★★★★★

a melhor coxinha do mundo e o anti-post

31.03.2010 - 2 Respostas

meu chefe falou que o post da coxinha do Arcadas é um anti-post. sim, porque eu até indico a coxinha, mas provavelmente nunca a encontraremos. esse post também será um anti-post: a coxinha que eu vou falar mora a 350 quilometros de mim.
para quem ainda não sabe, eu sou de Monte Alto, um sítio de cerca de 50 mil habitantes nos meões do nada, ao nordeste do estado de São Paulo. Monte Alto é uma cidade do interior qualquer, seus cidadãos são chucros como os de qualquer cidadela, não tem nada pra fazer além de encher a cara com os amigos ou fumar um e as pessoas tendem a ser como os pais delas e a perpetuar o estilo de vida imbecil da qual Drummond já falava 80 anos atrás no poema “cidadezinha qualquer”. sim, nada mudou.
mas Monte Alto…Monte Alto tem a melhor coxinha do mundo. quer dizer, tinha. reza a lenda que a tiazinha que fazia as coxinha morreu, alguém até herdou a receita, mas a coxinha da Sorveteria Bandeirantes não é mais a mesma. juro que ela é incrível, mas uns 8% menos incrível do que foi um dia. sabe, eu acredito que o suor das mãos da cozinheira pode fazer toda a diferença no sabor de um prato (e confesso, pra quem gosta da minha comida, que meto os dedos em tudo, enfio na boca, devolvo na panela). a coxinha da mulher que morreu era A COXINHA. pra começar, ela nunca usou catupiry. quer dizer, tinha uma versão com ovo (sim, um ovo cozido, inteiro, no meio da coxinha), mas pesava demais e vinha recheio de menos.
pra começar, a casca: não era empanada. a massa era tão sobrehumana que ficava crocante por fora sem precisar empanar. nunca, em 20 anos comendo essa iguaria, eu topei com uma que estivesse mole ou murcha. mesmo porque as coxinhas da Band nunca duravam mais do que 15 minutos na vitrine.
do meu tempo de criança, lembro da minha avó falando “vai buscar três coxinhas e três kibes na Bandeirantes pra gente (eu, ela e meu irmão) almoçar”. minha mãe estudava na época e eu adorava quando a vó não fazia almoço e mandava a gente buscar salgados ou o cachorro-quente do seu Vicente (in memorian) pro almoço.
bom, voltando à coxinha da Band, além da casca crocante e exclusiva, vinha a massa – um dos pontos fracos da melhor coxinha do mundo – meio puxa, mas sempre em pouca quantidade e sempre bem temperadinha. eles colocam cheiro verde no tempero da massa também. e o recheio…é praticamente inexplicável aquele recheio, mas eu vou tentar: frango desfiado grosseiramente, com textura macia de carne que cozinhou lentamente em seu próprio caldo por horas e este caldo, se valendo da alta quantidade de gordura que se soltou da pele do frango, ganha uma consistência parecida com a de um mocotó, meio gelatinosa. e os temperos: levemente apimentada, com bastante cebola, cheiro verde, temperinhos e tomate e o amor da cozinheira.
essa coxinha é o tipo de salgado que, quando você passa da calçada da sorveteria e vem o cheiro da pelotinha, você imediatamente tem de entrar e comer uma, mesmo que seja só desagravo ao aroma tão esplêndido.
eu não ia fazer um post sobre essa coxinha nunca. mas um amigo deixou recado no facebook admirando a frase “crocância de lamber os beiços” (pérola que é do Goos, veja bem, a gente não assina os textos, logo, o leitor vai ter de saber, pela personalidade do texto, o que é meu e o que é de Gustavo) e eu lembrei da melhor sensação de crocância da minha vida e de como eu ainda não encontrei uma coxinha que chegasse aos pés da da Band.
uma coxinha que não apela pro catupiry, que invariavelmente está cremosa e saborosa, que das 9h às 21h pode ser encontrada quentinha e deliciosa, mas infelizmente está há muitos quilometros de distância dos nossos estômagos apaixonados.

Sorveteria Bandeirantes
R. Nhonhô do Livramento, 1.164, Monte Alto – SP
Tel. 16 3242-1229
Coxinhômetro: ★★★★★★★★★★

ps.: o sorvete deles nem é tão bom. se você for pra monte alto (e podemos até combinar um passeio, me convida!), a dica é comer uma coxinha da Band e caminhar um quarteirão até a Super Moni, a.k.a. o sorvete mais incrível do Brasil, que fica na mesma rua.
ps. 2: falando em nhonhô…lembrei de uma marchinha de carnaval da minha infância: “a Sabesp acabou com o calçamento…da nhonhô…do livramento!” (pede pra eu cantar no próximo capítulo de ‘baila, kátia’)

coxoração C><3

29.03.2010 - Uma resposta
Falar sobre a coxinha do BH é complicado. Por isso, aqui no Coxinha Daily nós vamos fazer uns 5 posts (cada) sobre a experiência de se sentar em frente ao Seu Luiz e comer a coxinha que é puro amor em forma de colesterol. E por que é complicado? Porque cara… a coxinha do BH eu não como com a boca, eu como com o coração. E falar de coração é sempre treta. quem nao sabe disso?

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Como a Kátia diz, quem não bebe não tem história pra contar. E a coxinha do BH Lanches, que fica na esquina da Augusta com a Luis Coelho, é o tipo de coxinha que não importa se ela é boa, ou ruim… O importante é sentar com o broder e falar sobre o disco do xx, ou falar mal do ex, ou dar risada porque você deu vexame da Bella Paulista alguns dias antes (no mesmo dia que a gente comeu a coxinha 2,5). Esse salgado vem com história
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A coxinha do BH é meio de lua. Tem dia que ela está de bom humor, com uma cocrância de lamber os beiços. Então você pede aquela pimentinha (que nem é nada demais), e a coxinha vira sua melhor amiga. E tem dia que o movimento ta fraco, aí ela fica lá sentada na estufa, suando, e você acaba indo pra casa arrependido e com azia. Quando ela ta meio caída, vc pode pedir o risoles, que também é de primeira. Sanduíche de pernil? Idem! Dos atendentes, os mais firmeza é o Luisinho. Se não me engano, ele é São Paulino… é só falar do São Paulo que ele fica mais legal ainda
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A receita do BH é originalíssima. Essa é a mais honesta das coxinhas. Tempero suave, casquinha crocante e uma massa bem ok (mas às vezes eu acho meio pesada…). Sem catupiry, e ainda assim, é uma coxinha 9,5. Tem gente que gosta com ketchup, mostarda, maionese. Eu aprendi com os capixabas do falecido Mickey Gang (ávidos apreciadores da coxinha do BH) que azeite é um bom realçador do sabor dela. Experimente, vale a pena.
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Pra beber, eu peço guaraná com gelo e laranja. Mas se tiver na vibe, uma cerveja também vai bem. De qualquer forma, a melhor companhia dessa coxinha é o broder. A coxinha do BH é a coxinha dos broder. E se não passar pra 5 broders, aí vc não é broder.
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A verdade sobre coxinha do BH é que ela faz o papel do melhor coadjuvante gastronomico da história de nossas vidas (pelo menos da minha =D)
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Coxinhômetro: ★★★★★

no hay coxinha

29.03.2010 - Leave a Response

uma das melhores coxinhas de padaria que eu já comi na cidade é a coxinha da Arcadas. a Arcadas é uma padaria horrível, meio zoada, que fica na esquina da Brigadeiro Luís Antonio com a São Carlos do Pinhal. mas os preços são de padaria dos Jardins, então não vai achando que é um lugar de preços honestos só porque é meio porco e fica num lugar meio esgoto. sábado eu fui tomar café da manhã lá. provavelmente pela última vez na vida – posto que eu mudei de casa ontem e não vou subir toda a Brigadeiro pra tomar um iogurte batido com leite morno do balcão. e não encontrar a tal coxinha.
sim, eu gostaria muuuito de escrever sobre a coxinha da Arcadas. queria falar que a massa dela chega perto de um purê, que o recheio é cremoso (chutaria que é creme de leite, mas como faz tempo que eu não como, posso ter deturpado a memória), que vem um naco quentinho e delícia de catupiry, que a crocância nem sempre estava respeitável, mas esse é o preço de uma massa menos firme, que o recheio tem o tempero da vovó – nada de corantes ou glutamato, mas sim uma boa dose de cheiro verde, cebola e tomates – e que sempre que eu chegava de manhã da balada eu passava de lá e mandava ver no saborzinho.
eu passei a semana inteira indo na Arcadas e perguntando pela coxinha. inclusive de manhã, o horário que os funcionários dizem ter a disputada iguaria – qdo acaba, eles não fritam mais. cheguei a comer coxinhas lá na hora da almoço, mas perto do meio-dia já se tornou tarde demais.
mas fica a dica. se estiver pela área, não custa dar uma passada. aliás, tem donut de sobremesa, uma explosão de recheio e sabor. o de maracujá vai deixar saudade.

Padaria Arcadas
Av. Brig. Luís Antônio, 2.098, Bela Vista
Tel. 11 3284-2018/3285-6981
Coxinhômetro: ★★★★

a Bella Paulista e a traição

15.03.2010 - Leave a Response

era uma vez a coxinha da Bella Paulista. era uma coxinha muito, muito boa. das que trapaceiam usando catupiry, era uma das melhores da cidade, posso falar isso porque sim, eu já comi coxinha em tooooda a cidade. (senta na modéstia e roda, êê). sábado eu saí da balada e fui pra Bella pensando na coxinha. é como quando você tem 12 anos e vai pro bailinho de aniversário da sua melhor amiga sabendo que você vai dançar com o Carlinhos, o gatinho da outra sala, você sabe que ele, apesar de ser um autista como todos os meninos de 12 anos o são, vai dançar com você e vai te dar alguma atenção – principalmente se você falar de figurinhas de futebol com ele.

mas se o Carlinhos não colar, você vai acabar dançando com a vassoura ou com algum amiguinho seu que ninguém quer dançar porque é feinho ou porque tem bafo. com a coxinha da Bella foi a mesma coisa: cheguei lá sonhando com aquele indefectível pedaço de farinha e frango crocantes e saborosos e acabei comendo uma coxinha de segunda categoria.

eu me perguntei, mordida a mordida (mesmo morrendo de fome laricada de maconha muitas horas depois de um humilde cachorro-quente na porta do Netão), o que teria acontecido àquela coxinha tão garantida, era uma coxinha que na hora que rolava – fosse qual fosse a hora – era garantia de sabor e satisfação – posso contar das muitas noites que eu cheguei na padaria indecisa, pedi uma coxinha, depois outra, depois outra, porque era tão boa que eu não ousava pedir qualquer outra coisa do cardápio – imeeeenso – do lugar.

mas sábado veio uma coxinha imensa. grande. dessas difíceis de segurar. como consta no texto logo abaixo, eu não confio em coxinhas muito grandes. mas ok. eu tinha fome. primeiro o mar de massa: eu, errada na paixão que sou, começo a coxinha pelo biquinho, pela pontinha “de segurar”. e paunoku de quem acha que comer assim é errado, principalmente no cu da pessoa que fez a coxinha da Bella sábado e acredita nisso e colocou o catupiry todo na bundinha dela, o que significa que eu comi uma coxinha inteira pra chegar no destino mais desejado da hecatombe gustativa.

a coxinha deles, antigamente, era de tamanho médio, massa cremosa, recheio de tempero suave, porém presente, o catupiry derretido, a crocância às vezes faltava, mas isso era facilmente compensado pelo sabor. eu me senti traída sábado. o recheio estava seco e sem graça. tinha tanta massa que eu fiquei com medo de me afogar em farinha. e o catupiry tava duro e separado do recheio. uma tristeza só. e custa bem uns R$ 4 e alguma coisa talvez.

sabe, eu adoraria indicar a coxinha da Bella Paulista – caso eles não tivessem mudado a receita. agora, por uma questão de paciência, agilidade e sabor, vá em qualquer outro lugar. que infelizmente essa já não vale mais a pena.

mas fique à vontade:

Bella Paulista
Rua Haddock Lobo, 354, Cerqueira César
11 3214-3347/3214-4520
http://www.bellapaulista.com
Coxinhômetro: ★★

ali no cruzamento mítico

10.03.2010 - Leave a Response

o Caetano cantou tanto “que só quando cruzo a Ipiranga com a avenida São João” que é impossível desvincular esse cruzamento da ideia do que é São Paulo. o trecho de melodia, inclusive, em cima do qual ele canta esse verso, foi roubado de Ronda, do Paulo Vanzolini, do finalzinho que ele canta “vai dar na primeira edição/cena de sangue num bar/da avenida São João”. o Caê disse que foi homenagem, o Vanzolini respondeu “homenagem de baiano a gente pendura na parede”.

quando eu era pré-adolescente, pedi pra minha mãe me levar nesse cruzamento, porque se o Caetano cantava, devia ser lindo demais. minha mãe então respondeu “iih, filha, não sobrou nada naquele cruzamento. só uns cortiços e meia dúzia de putas”. quando eu mudei pra SP, há oito anos, foi uma das primeiras coisas que eu fiz: peguei o metrô e fui ver qual era a da Ipiringa com a São João. não é um cruzamento incomum. pelo contrário, é um cruzamento bem característico do centro, tem o hotel Marabá numa esquina, o hotel Excelsior na outra, o Bar Brahma na outra…e uma coxinha honesta na outra.

fui parar lá por causa da Virada Cultural do ano passado, teve Novos Baianos no palco da São João. Cheguei perto do horário do show, perto o suficiente para comer e pegar o show dos baianos, porque Maria Rita, que tava rolando antes, é uó e eu não preciso passar por esse tipo de expiação espiritual. com uns minutos sobrando, fomos comer no bar da esquina, que eu não sei o nome, mas parecia fazer sucos deliciosos – a ressaca implorava por um gole de qualquer coisa doce e refrescante. na vitrine de salgado, uma coxinha bonita, não a mais bonita que eu já vi, mas bonita, caprichada de tamanho, cor e aspecto de crocância.

pedi uma. era uma boa coxinha. não ótima, não deliciosa, uma boa coxinha. a massa poderia vir em menor quantidade, apesar de ser gostosa, e o recheio poderia ser um pouco mais molhadinho, apesar de não ser seco. mas estava crocante – ah, isso estava. na última mordida, Baby Consuelo e Paulinho Boca de Cantor já empunhavam seus microfones, paguei e saí correndo para vê-los. a Consuelo que agora é ‘do Brasil’ e vê ETs, o Paulinho, que continua Boca de Cantor, mas sem a graça hippie que o cercava nos anos 70. o Pepeu Gomes também colou. eu fiquei longe do palco. eu gosto mesmo é da grade, quando eu gosto da banda eu quero ficar na grade, mas nesse caso não valia tanto esforço – 2009 não representa o apogeu desta que foi uma das maiores bandas deste país, para mim não fazia a mínima diferença vê-los de perto ou de longe, o que importava era o espírito da coisa toda – e de como o capitalismo torna as coisas menos agradáveis.

passei todo o show pensando em escrever sobre aquela coxinha. mas como o combinado com o goos era que perguntássemos de que modo as coxinhas resenhadas aqui são feitas e fotografar e eu tinha pulado essa parte pra ver os baianos, desencanei de escrever.

lembrei disso esses dias, passando pelo cruzamento mítico.  no fundo, pouco importa se a coxinha é maravilhosa ou somente honesta. para quem tem espírito de comedor de coxinha, toda coxinha vale a pena. o que torna essa mais especial é o fato de que ela mora no coração da cidade. e que comê-la cantarolando Sampa é um dos sabores impagáveis da cidade.